Breve.Mente




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I
- Não percebo nada de amor. Eu sei que o amor é qualquer coisa.
- E o que é que acontecia se o amor não fosse qualquer coisa?
II
- Torna-se difícil explicar a ausência.
- Qual é a origem da ausência?
- Imperfeições. Ele gosta de mar e eu de abraços.
- Desejamos muito para nós próprios e para os outros. Paradoxos da vida? Está enraizado em nós.
- Somos obrigados a explicar e nunca deixa de existir.
- A ausência ou a imperfeição?
- A sequência. Os paradoxos.
III
Os vasos sanguíneos cheiravam mal. «É mais fácil de dizer do que de fazer.» Cortou o coração aos pedaços com grande rapidez. «Promete-me que serás fiel. Às vezes os homens não são e em consequência... Não tem importância.» Cozinhou o meio quilo de coração. «Não te preocupes. Já nada dói.»,
IV
Ele tem medo dos domingos. A solidão é um ser maldoso. Aos domingos o silêncio da solidão regressa (e por vezes a vida não tem saída)... Conhece bem aquela sensação de impotência (e o túnel pode ser uma opção consciente de fácil desejo). Uau. Como somos iguais. Os olhos dele brilham de amor e os meus de raiva, e toda a gente sabe. (Saiu de casa para secar as lágrimas.)
V
-Dizem-me que ando a fugir de tudo. Hoje estou assim. Tenho o coração turvo. Às vezes enchemos o peito de merda.
-Embriaga-se o amor.
VI
- Pior do que agir mal é não agir.
- A ilusão sempre foi imperfeita.
VII
- É sempre a mesma lengalenga. Não é de mim que estávamos a falar. É de ti. Deixa-te de disparates... de merdas.Cresce. O amor incomoda bastante quando não sabem amar. E amar só à noite não é amor. Ele só te contou tretas. A persistência dele é sexo e nunca será amor. Começa a sarar o teu coração e deixa-te de paneleirices. És teimoso. Nunca me ouves. Os homens já não são nenhuma surpresa. Não tens outro remédio. Esquece. Nada mais fácil.
- Pronto. Já percebi.
VIII
Tinha os olhos pálidos. Sentou-se. Não se ouvia um único ruído. A dor é implacável. O sangue parecia escorrer dos sonhos. O corpo ficou dormente. Ouviu-se uma última batida do coração e depois escureceu. Só assim as pessoas são felizes: mortas.

"Sr. Psicólogo.
Hoje falhei à consulta. Na semana passada também? Não consegui. Podemos marca para a próxima semana?
Sei quem não sou.
Tive tudo: amores errados, desculpas rápidas, sonhos fardados por outros homens, respostas que nunca vou esquecer e culpa, tanta culpa. O tempo avisou-me enquanto encharcava o lenço de papel no silêncio e a barba crescia. Atrás ficava um espelho que nunca me viu. Escolhi os meus caminhos em função da minha orientação e que no fim boicotava os meus sonhos. Perdi os amigos da primária. Mas eram eles os esquisitos, cansei-me dos escárnios deles. Falcatrua?! Nunca nada foi prefeito.
Odeio a palavra mafarrica. E já passaram tantos anos. E a única palavra carinhosa que ouvi foi paneleiro. Eu esforçava-me para não a ouvir. E lá no fundo adorava palavras bonitas.
Todos nós temos os nossos próprios segredos?
"- Deixa-me experimentar."
"- Não há problema."
"- Não tenhas medo."
Nas viagens de regresso morri muitas vezes. Como eu desejava ser diferente, sabe. Não consigo imaginar o alívio. Dentro da minha cabeça só há sofrimento. Cansado do meu destino.
Vejo tantos rapazes lindos, mas são completamente estupidos. Ninguém consegue compreender a minha essência.
Acho que não percebo a minha vida. Vai-me tentar explicar?"

quem-semeia-alimenta
somos-perversos-por-comparação
(o-trono-mais-ditoso-nunca-será-comparável-a-corações-de-amor)
coisas-inutilíssimas
Molda-me como quiseres, dando-me vontade de existir. Habita-me.


I
- É verdade. Abriram-lhe o coração. Era um coração esférico. Feridas e mais feridas. Pateticamente frágil. Não se pode tirar nada dele. O sangue cheirava a bedum, um cheiro intenso, horrível...
II
- Ensinou-me como morrer. Rápido e indefectível.
Os meus olhos desdenhosos, semicerrados e sozinhos impregnam o meu passamento. Dou um gole no copo de vinho e fumo o último cigarro do maço.
- Uma injeçao endovenosa de 20 ml de cloreto de potássio é a minha morte. Tudo será uma alusão à vida. Como sempre, como tudo, como nós. A vida é feita de um material inflamável que vai corroendo. Apenas.
- O sonho foi-se embora?
- Não fujo de nada.
- Todos nós fugimos de qualquer coisa. O sonho foi-se embora?
III
- Vou apagar a luz.
- Não me vais dizer que queres passar o resto da tua vida assim?
- Acho que sim. Sinto-me como se tivesse feito algo errado.
- Começa a calcorrear outros caminhos. A esquecer pessoas...
I
Dá-me qualquer coisa para morrer. O tempo não me mata, as minhas mãos tremem com a espingarda, os meus olhos não secam. Deixo-me cair descontente, sem forças... a morte está mesmo certa, está de frente...
II
Há passos e pessoas. O silêncio tem tudo isso...
III
Queria ser grande. Ver o horizonte da colina sob uma lua sem limites. Percorrer todos os lugares que li em livros de amor. Ouvir as cigarras, aquecer-me de sol. Queria tanto ser diferente. Cheio de cores e sonhos, sem tempo cru e histórias que fazem chorar. Queria ser o quase nada e depois ser tudo, sem flamejantes dores, sem um único cadáver e sem lágrimas.
O que tenho eu de tão estranho? Sou um homem completamente ingénuo, de olhos silenciosos, de sombras e fumos, de passos perdidos em ruas falsas. O que morrerá comigo, quando eu morrer? Eu, ou seja, nada.
IV
Há uma porta de armário, à pressa uma culpa, com medo um amor. Mas de maneiras bem diferentes. Alguém com mais sorte
e mais amor do que eu...
V
Amar, amar e amar. Passa-se aqui muito tempo.
Tempo que morre com o passar do tempo.
Amar, amar e amar nada foi.
Amealhar cicatrizes não se tornou uma prioridade.
(Amar pela liberdade torna-me prudente.)
O que não falta aí é amor sem tempo.
Amar, amar, amar, amar, amar, amar, amar, amar...
morrer.

É desconsolador. Chego a cansar-me da vida. É habitual pensar que nunca fui amado e tento convencer-me que não faz diferença. Nunca ninguém me disse «volto amanhã».

Tem um olhar vazio e sorumbático, um coração ferido... à espera de nada - dizia a voz.
Acho que é importante eu ir embora. Nunca te interessou o amor... Não tenho medo de voltar para trás....

tenho-uma-vontade-dolorosa
